NO PAIN, NO GAIN

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A obra de Michael Punke (2012) ganha alma pelas mãos de Alejandro González Iñárritu e Mark L. Smith. Somos presenteados com a jornada de Hugh Glass (interpretado por DiCaprio) que, segundo uma lenda americana, terá liderado, na década de 1820, uma missão ao longo do Rio Missouri, durante a qual é brutalmente atacado por um urso que o deixa à beira da morte, sendo depois abandonado pelos companheiros. Tal conjuntura incita-o a partir em busca de uma vingança que só terá frutos se conseguir ultrapassar as chagas deixadas pelo ataque do urso e a provação das terríveis condições atmosféricas.

Enquanto assistia ao filme fui, várias vezes, acometida pela indignação. Incrível a falta de reconhecimento oficial dos 26 anos de carreira de DiCaprio, que tem (apenas) 41. A sua performance quase sem falas, de elevada exigência física e emocional, ao longo de cenas longas e com poucos cortes fazem notar o longo período de preparação pelo qual passou e ressaltam o empenho e compromisso com os papéis que interpreta. Percebe-se, assim, os rumores da suposta obsessão do ator pelo Óscar, que o levaram a comer fígado de bisonte cru, a dormir com animais mortos, a saltar e nadar em rios gelados, a apanhar peixe do rio e a comê-lo de seguida, a andar quase nu no meio da neve constantemente sujeito a estados hipotérmicos. O desafio foi enorme para toda a equipa já que as filmagens foram feitas no meio natural, sujeitas a todo o tipo de condições atmosféricas, tendo disponível apenas uma hora e meia de luz natural por dia para filmar, durante 9 meses. A verdade é que “No pain, no gain” e saiu dali uma obra de arte singular e de estranha beleza que impressionará qualquer um. Será desta que o nosso menino leva o Óscar para casa?


The work of Michael Punke (2012) wins soul by the hands of Alejandro González Iñárritu and Mark L. Smith. We are presented with the journey of Hugh Glass (played by DiCaprio) who, according to an American legend, led, in the 1820’s, a mission along the Missouri River during which is brutally attacked by a bear that left him almost dead. Then, he’s abandoned by his companions. Such a situation leads him to a search of revenge where he will only succeed if he recovers of the injuries and if he can make it through the terrible weather conditions.    

While watching the movie I was several times affected by indignation. Incredible the lack of formal recognition of the 26 years old DiCaprio’s career, who is (only) 41. His performance  almost speechless, highly emotional and physical, over long scenes with few cuts allow us to notice the long period of preparation that he has gone through, as well his highlight commitment to the roles that he plays. It’s clear, as well, the rumors of his supposed obsession for the Oscar, which led him to eat raw liver, sleep with dead animals, jump and swim in icy rivers, to catch fish in the river and eat it then. The challenge was enormous for the whole team because all the film was shot in the wild, dependent of all kinds of weather conditions, having only one hour and an half of daylight a day to shoot, during 9 months. The truth is that “No pain, no gain” and from there we all gained such a unique piece of art, plenty of a strange beauty. Will our boy get the Oscar?

 

 

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