MIRROR

Chegou a casa como todos os dias.

Pousou as chaves e olhou-se ao espelho.
Já não o fazia daquela forma há algum tempo.
Cada detalhe, cada sinal novo,
cada imperfeição que foi aparecendo sem que tivesse dado conta.

Perguntou-se se seria justo que a auto-estima fosse confundida com arrogância ou covardia.
– Era feliz. Não numa felicidade plena e eterna.
– Não numa condição perfeita e imutável.

Mas era feliz. Como algo certo no Presente.

Tinha aprendido a fazer isso – viver o Presente. Isso era sinónimo de felicidade.
Ainda eram muitos os sonhos que o Passado insistia em invadir.
De tão crua e feroz crueldade que eram demais os momentos em que deixou de acreditar.
Tinha na velhice das décadas a mocidade que duas dezenas não souberam ver.

Pedir desculpa pela culpa que nunca se teve desculpando o culpado da sua condição não era opção.
Até porque quem ama não vê.

Afinal tudo o que queria era ser livre.

Na condição que a liberdade desprende do âmago de quem crê.

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Photo credits: Joana Lemos

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