Há duas melodias na vida.

A do silêncio e a do riso. Aquele patético que faz chorar. Para bem ou para mal quando se pensa em tudo e em coisa nenhuma. Quando se tropeça no embalar de vidros transparentes que se esvaiam em mares de espuma. Arruma os passos, ajeita os mil casacos e sai à rua.

Olha para a esquerda. Depois direita. A seguir céu. Ebriedade da influência do seu tom na agitada rotina. “Rotina”. Palavra chata, sem graça nem raça, que sempre se odiou mas que sem a qual já não se passa. Mentecapta mas feliz, que encanta, encantada com tudo o que vê, faz e diz.

Céu cinzento.

Continua o caminho até ao metro.

Muda de linha.

Senta-se (in)quieto.

5 paragens. Sem falar, sem telemóvel nem internet. Sozinho consigo mesmo e com mais umas dezenas de pessoas afogadas nas suas vidas. Ali. Reduzidas a outros tantas de âmbito esquecidas. Propósito? Não vale a pena pensar nisso. Agarra no teu jornal. Limpa a caixa de emails. Atualiza o teu mural. Perdoa-me a leviandade, a efemeridade e a ingenuidade. Porque as duas melodias de vida não me deixam pensar em mais. Porque pensar é perigoso, doloroso, custoso e pouco proveitoso. Assim como este texto que só serve de pretexto a um eixo que morou a presentar. Não vale a pena pensar nisso. Avista-se um turbilhão de muita coisa que não daria coisa nenhuma. Coisa alguma de não pensar em substancia. Zero sentido, que confusão, e que bem sabe a ignorância.

 

Sai à rua.

O céu está azul.

Author Sara

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Join the discussion 2 Comments

  • Maria Paula says:

    Linda!! Adoro ler-te. Continue escrevendo e me mostrando esse mundo lindo.
    Faz muita aqui do outro lado do Atlântico. Estou quase a mesma formar.
    Beijinhos
    I miss you

  • Maria Paula says:

    Linda!! Adoro ler-te. Continue escrevendo e me mostrando esse mundo lindo.
    Você faz muita aqui do outro lado do Atlântico.
    Beijinhos
    I miss you

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