INSPIRING SOUZA

“Tenho um espírito complicado, sujeito a crises, o meu estado moral e intelectual atravessa sem cessar violentas manifestações de todo o tipo, tenho mais fases do que a lua”.

Assim de descrevia Amadeo de Souza Cardoso.

Vítima da gripe pneumónica, morreu aos 30 anos, quando a sua obra estava em ascensão internacional. Já tinha exposto em Paris, Londres, Viena, Hamburgo e também em Nova Iorque, em 1913. Teve tempo de criar algo atordoantemente impressionante, munido de revolução estética que o destacou pela diferença em relação a qualquer outro. Deixando para trás uma produção rica, colorida e revitalizante.

A sua forte personalidade levou-o a deixar Manhufe, no concelho de Amarante, com apenas 19 anos, com destino a Paris para estudar arquitectura, optando pelas artes plásticas, contrariamente ao que era frequente no seio da sua família. Ali conviveu e fez amizades com artistas que marcariam a História da Arte, como Modigliani, o casal Robert e Sonia Delaunay, Marc Chagall ou Constantin Brancusi, recebendo várias influências das vanguardas criativas, mas sempre traçou o seu próprio caminho.

O ultimo segredo da arte moderna.

O mais bem guardado – diz quem entende da matéria.

O artista multifacetado cuja obra se encontra-se no cruzamento de todos os movimentos artísticos do século XX, recusou-se aos rótulos e teve a capacidade de criar uma arte própria, entre tradição e modernidade, entre Portugal e Paris. A Réunion des Musées Nationaux et du Grand Palais des Champs-Élysées, com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, reuniu numa exposição no Grand Palais, em Paris, a primeira grande retrospectiva dedicada ao artista Português desde 1958, no âmbito dos 50 anos da presença desta instituição, na capital francesa.
A imprensa é unânime, os visitantes também, a exposição Amadeo Souza Cardoso conquistou.
É imperdoável, para qualquer português que viva em Paris ou que esteja de visita ignorar esta exposição. Na verdade visitá-la é uma questão de orgulho e valorização nacional. Não é todos os dias que um português tem as suas obras expostas nesta sala de exposições. Asseguro que vale a pena lá ir para viver as cento e cinquenta obras de Amadeo e dos seus amigos próximos, que têm o poder de captar a atenção de qualquer um.
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“A minha maneira de sentir e de compreender não tem nada a ver com a dos futuristas ou dos cubistas (…). Cada artista tem em si algo de singular que não existe em nenhum outro. (…) A arte, tal como eu a sinto, é o produto emocional da natureza, fonte de vida, de sensibilidade, de cor, de profundidade, de ação mental e poder emotivo”.

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