Recordo-me de haver, à entrada da minha escola primária, um mar de dentes de leão. No meio de tantas recreações era constante a pergunta “O teu pai é careca?” seguido de um sopro com eflúvio a chocolate, que fazia vergar um caule encabeçado por uma bola de pelo branco. Alguns resistiam ao exalado, outros não. A queda daquela espécie de penugem seria alvo de risos. Mais tarde, tantos sopros acabaram por dar origem ao fim daquelas brincadeiras.

Há uns tempos comecei a olhar para essas plantas como olho para uma folha de papel. Posso desenhar, escrever, imaginar… mas não posso amassar se quero continuar a usá-la na minha vida. Depois de a amarrotar não posso recuperar a lisura que me permite o seu préstimo e o deleite que ela me proporciona.

A resistência a um sopro, a defesa a um amasso. Ambas, assim como a pedra lançada ou a palavra proferida não têm retorno.

De todo.

A segurança no próximo assim condensada. A um sopro. A uma folha de papel. À capacidade que cada um tem em manter o melhor que se pode dar a alguém – A convicção da confiança.

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Photo credits: Liliana Teixeira

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