– Bellissima

– Ma quanto sei bella.

Sentada numa das inúmeras praças de Roma. Pensou nos sonhos. Naqueles que continuava a perseguir. E em tantos outros que tinham ficado adormecidos. Lá atrás, no tempo. Não porque não acreditasse neles, mas porque nem sempre dependeram apenas de si. Foram muitas as vezes em que tentou escrever. Mas não pôde. Sufoco. Turbilhão de tanta coisa que não levou a coisa nenhuma. É assim, na maior parte das vezes. Quanto mais se tem para dizer, menos se diz. Será que aquelas pessoas compreenderiam? Ela não condenaria o casal que passava com um gelado de anjo azul na mão. Quem é que, estando em Itália, escolhe um gelado daquele sabor? Esperava, também, ser acertada nas decisões que tomava no dia a dia. Naquelas escolhas insignificantes que vamos fazendo sem dar conta que acabam por nos levar a tomar uns caminhos em detrimento de outros. Olhava, agora, para trás e só queria uma coisa. Que o tempo parasse. Tudo passara tão rápido. O tempo era o mais precioso que tinha naquele momento. E sentia que lhe estava a escapar. Tinha que fazer alguma coisa em relação a isso. Viver o momento com mais intensidade, dando tudo da sua presença. O sino da igreja tocou. Levantou-se e desapareceu no meio da multidão.

Esta é a história da Francesca. Ou então imaginei-a assim. Sentada à beira de uma fonte, a fumar um cigarro, alheia ao frenesim envolto. Não lhe falei, mas via-se que estava feliz. Não dona de tudo o que queria perceber, mas segura de si em relação ao que sabia.


Sitting in one of the dozens of squares of Rome. She thought about her dreams. About hose she was chasing. And so many others left back in time. Not because she didn’t believe them, but because they did not always depended on her. There were many times she tried to write. But she couldn’t. She suffocated. A bunch of so much that didn’t lead to anything. The more you have to say, the less is said. Would those people understand? She would not condemn the passing couple with a blue angel ice cream in their hands. Who, being in Italy, chooses an ice cream of that flavor? She also hoped to be right on the decisions she made on a day-to-day basis. In those insignificant choices that we do without realizing that they lead us to take some paths to the detriment of others. She looked back in time wanting one single. To make time stopping. Everything had gone so fast. Time was the most precious thing she had at that moment. And she felt like it was escaping from her. She had to do something about it. To live the moment with more intensity, giving everything of her presence. The church bell rang. She got up and disappeared into the crowd.

This is Francesca’s story. Or as I imagined it to be. Sitting by a fountain, smoking a cigarette. I didn’t talk to her, but I could tell she was happy. She does not own everything she wanted to know, but she was sure of herself in relation to what she knew.

Author Sara

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